domingo, 15 de julho de 2012

- sim é pra você moço



Vejo balões em volta de mim , mas a festa acabou . 
Está frio hoje mas já agasalhei meus pés . 
Seu rosto me perseguiu hoje , por todos os lados até no meu quarto , onde são poucos os que têm direito a entrar . 
Tinha grandes expectativas para você , para mim , para nós . Mas sem ser a primeira vez , me enganei a respeito de mais uma pessoa .
Que posso fazer não é ? Nada sou pra te julgar , muito menos te dizer o que fazer ou não . Ou mesmo por quem te deves apaixonar . 
Nada sou , a não ser a última a sair da festa , como sempre . 
Sempre me dizeram que o melhor fica para o final , mas começo a achar que é bem pelo contrario . 
Estou aqui junto do chão sujo , os restos de bolo e os balões com os quais  as crianças brincavam até umas horas atrás. 
Mais uma vez , fiquei por último e sabe que mais ? Até comecei a me acostumar a essa ideia . 
Minha hora não era com você , mas quem sabe não chega logo ? 
Também mereço um parabéns ! 

Natália , a última  

sexta-feira, 13 de julho de 2012

- pra guria de Portugal

"O professor faz a pergunta retórica pra sala:
- ... porque não existe masculino pra verbo. Por exemplo, qual é o masculino de rodar?
E ambas se nem se conhecer respondem:
- Rodo!"


Poxa, pequena, você também merece uma página minha.
Não que isso seja lá grande coisa (e não é), mas vou reservar umas linhas pra ti, juro que vou até caprichar na letra.
Sabe, nunca pensei que alguém que conheci tão aleatoriamente fosse fazer tanta diferença no modo em como aprendi a ver o mundo, muito menos alguém com jeito de forte e dura na queda, mas que no fundo, só precisa de carinho.
E não precisei ir muito longe pra perceber isso.
Claro, carinho previamente selecionado, pois não é qualquer um que ganha esse coração pintado de esperança. Porém, quem o ganha não faz ideia da preciosidade que tem em mãos.
Já te disse, lembra? Tu amas como poucos; tu tens a audácia de se apegar mesmo sabendo que pode não ser recompensada da mesma maneira.
Mas, te digo, não é nada em vão. Um dia alguém especial e suficientemente capaz há de notar o pulsar sincero desse teu coração de ouro; e não só notar, mas também preservá-lo com toda a paciência necessária pra que a tua esperança não seja perdida.
Lembra, também, daquela vez que te disse que se eu pudesse, pegaria toda essa tua dor pra mim? Bom, era verdade. Se pudesse, suportaria esse medo por ti, guria, suportaria sem nenhuma objeção; já me senti triste o suficiente pra pensar que se somasse tua tristeza a minha, ambas desapareceriam.
Já pensou? Seria uma maravilha...
Ou ao menos, chegaria bem perto.
Mas a vida insiste em se fazer de teimosa e fica de sacanagem com os nossos sonhos, não é? Ela nunca se contenta a colaborar com as nossas expectativas.
Mas que seja, pequena. Um dia a gente chora de alegria e tira sarro dessa vida caturra.
E se a vida não colaborar, juro que rodo o mundo e sequestro a felicidade pra ti, nem que tenha de arrastá-la pelo Atlântico de Coimbra até São Paulo, a trago pra ti e isso é uma promessa.
Juro de mindinho.
- Bruna, a preta.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

- você também não conheceu Chatterton


Preciso de livros velhos.
Muitos livros velhos com cheiro de pó e coisa guardada.
Preciso de um cigarro; mesmo não fumando, mesmo só querendo ver a fumaça subir ao teto em sua dança de perdição.
Preciso de conhaque; mesmo não bebendo. Conhaque pra encher o cômodo de poesia boêmia.
Falando em boêmia, preciso de bossa. Bossa, MPB, Seu Jorge e algumas das Carolinas. Quem sabe um deles não traz o cigarro e a bebida? Dessa vez, pode ser até aquele whiskey barato do bar da esquina.
Quem sabe algum deles não traz a poesia também? Pelo menos, dos versos, me embriago sem culpa.
Preciso de lençóis brancos, preciso da poeira levitando à retina, à invasão da luz esmaecida que insiste em fazer companhia.
Será que ela também não sabe que não sou uma anfitriã. digamos... condescendente?
Será que não sabe, que além de vadia, encontro-me insana?
Você sabia. Mas também, o cheiro forte da minha alma suja provocava ânsia na tua conduta jamais condenada.
Meu pecado sôfrego ultrapassava teus limites doutrinados.
E você foi embora.
Escolha prática. Adiou teu prazo de absolvição.
Tudo que não preciso é da tua inocência de merda.
E já que não me condeno como você disse, fico aqui à companhia daqueles que desconhecem meu comportamento hediondo; fico com os livros velhos e discos riscados.
O conhaque não tenho, estava caro. E esquece o whiskey, nunca conseguiria tomar aquela merda sozinha mesmo.
Mas, quem sabe, não arranjo o cigarro?
Cigarro ou qualquer outra coisa que adiante minha ruína; infarto ou suicídio, foda-se.
Na cova não irá fazer tanta diferença.
- Bruna, entre vil e miserável

quinta-feira, 5 de julho de 2012

- coisa linda é gente que nunca se viu, se abraçando.

Minhas superstições são poucas mas quando é dia de jogo, faço questão de não assisti-lo.
Vai saber se o meu azar incontestável não impregna no time?
Mas, tudo bem, quando se é corinthiano, não há necessidade alguma de acompanhar a transmissão; os rojões e o aperto no peito já revelam que mais uma bola balançou a rede.
Bola que saiu dos pés de algum jogador alvo e negro.
Aí, o resto do mundo aparece expondo a realidade: "ah, vocês não ganham nada com isso", ou "é perca de tempo esse seu fanatismo ridículo".
Porém, alguém me responda: não seria fanatismo também uma outra forma de amor? E uma das mais puras, diga-se de passagem, pois mesmo conscientes de que nossa fidelidade talvez nunca nos renda lucro, damos o sangue ao soltar o nosso grito de vitória.
E choramos também, quando o final do segundo tempo não é como esperávamos.
Mas, que seja. Não há nada mais prazeroso do que olhar orgulhoso e poder dizer que somos campeões.
Loucos, burros, fanáticos, tanto faz. Pra esse orgulho que cresceu em nosso peito não há nada que pague.
Claro, sou inteligente, reconheço sim que há coisas mais relevantes com o que se importar.
Mas, também, sou corinthiana. E por que não, ao menos essa noite, deixar as vergonhas de lado e abraçarmos uns aos outros, desconhecidos ou irmãos, e comemorarmos algo tão... bobo?
Por que não, só essa noite, acordar a vizinhança gritando "É CAMPEÃO!"?
Por que não, ao menos essa noite, unirmos o nosso amor (ou fanatismo) e fidelidade, e compartilharmos uns com os outros algo que deveria ser dividido todos os dias?
Enfim, para aqueles que juntos sofreram piamente a cada passe de bola: ganhamos.
Finalmente.
E, para aqueles que se dedicaram as críticas e outras piadas: obrigada.
Sim, obrigada. Mas o ato de levantarmos mais uma taça não servirá de tapa na cara de ninguém; será um abraço bem forte e cheio de orgulho para que, ao menos uma vez, vocês possam sentir o pulsar fiel de um coração corinthiano.
E essa noite, até eu que não sou católica nem nada, vi São Jorge derrotando um dragão na lua singela que  passeava pelo céu.
- Desculpe, também sou corinthiana. 
Bruna

quarta-feira, 4 de julho de 2012

- Mais um pouco de drama


                                                     
Bom, faz um bom tempo que não escrevo. Faz um bom tempo que não tenho inspiração.
Em meio a toda essa merda em que eu transformei a minha vida, decidi parar nesse momento e pensar no porque.
O porque afinal só eu sei, e se eu tentar explicar ninguém nunca vai entender.
Por incrível que pareça já fui uma pessoa normal, como fui virar o que sou hoje ? é, só eu sei.
Outros podem tentar me dizer como foi, tentar explicar como se fosse pra si mesmo, não adianta. Repito, só eu sei.
Só eu sei toda a dor que eu mesma me fiz passar, todo o mazoquismo, todo o teatro. Sou falsa ? não, eu só tento, com o sentimento mais puro, ser uma pessoa melhor, pois é, não consigo.
Faço drama ? sim, pode se dizer que sim, mas no fundo todo o drama que eu tento passar é real. Se eu me acho uma merda ? no momento sim, no momento eu sou, eu simplesmente mudo de opnião a cada segundo.
Te odeio ? daqui 5 minutos posso te amar. Sinto sua falta ? em menos de 1 minuto posso não sentir. Isso parece algo bom não é ? pois não, seria se eu controlasse.
Eu sei, isso está totalmente sem sentido né ? como eu disse, só eu sei.
Decidi parar por um segundo e fazer de mim mesma a inspiração, deu nisso.
Queria poder falar de mim, contar o que eu penso que sou, mas, como eu disse, eu mudo, mudo constantemente, e isso me mata, ou melhor, está me matando. Drama ? sim, mas é o que eu sinto.
Tudo isso simplesmente porque me sinto uma merda, e a unica certeza que eu posso dar, é que não vou fazer absolutamente nada pra melhorar, nunca faço.
                   Só sei que isso tudo é sincero, pelo menos nesse minuto.
                                                                          -FICTION

terça-feira, 3 de julho de 2012

- linhas sobre os fins e os meios


Tu gostavas das rimas e eu dos poemas.
Preferias o destino do trem e eu as árvores que corriam pela janela.
Ouviras o último acorde enquanto eu ainda apreciava o solo.
Sentias o frio que persegue a despedida enquanto eu perseguia o instante daquele teu primeiro abraço.
Tu és feito de fins e eu de meios.
E quando teu fim chegou e saudades tuas atravessaram as flores da lápide, meus meios se foram com as tuas lembranças.
Minhas lembranças adornaram-me as memórias, enfeitando-as com a tristeza do teu último sorriso.
Sorriso o qual, nunca há de terminar.
- Bruna, a mórbida