sexta-feira, 17 de agosto de 2012

- e enfim, quebrei a imagem que o espelho não mostrava


Fui embora pelas ruas cinzas vendo os pneus riscando o asfalto e ouvindo Detonautas pra pensar em você.
Fumei um cigarro pra tirar a ressaca do sorriso que me destes.
Foi o último.
Último sorriso, não cigarro.
Aliás, quero outro.
Cigarro, claro.
Mas, emfim, tu ficas com ela. Tu ficas com tua moça, meu anjo. Minha alma cheira a fumaça e é suja demais pra você.
Não precisamos de mais nada. Não preciso do teus olhos, não preciso dos ciúmes dela.
Porém, não irei me esconder como antes, nem por ti muito menos por ela.
Tu não mereces meus modos.
Tu não mereces minha vadiagem.
Tu não mereces minha perdição.
Não porque és bom, claro, mas porque não vales o gasto.
Ela, então, nem se fala…
Não te esquecerei, porém.
E, também, tu não se esquecerás.
Conheceste meus pecados.
Isso basta.
Sempre bastou.
Não será o que não foi dito que mudará o que nunca passou.
Já é o tempo de fim.
Já chega a hora de esquecer minhas folhas à ti.
Sem adeus, sem recaídas.
Sinta-se por satisfeito.
Pra ti, este é meu último ponto.
- Bruna. E ao fim do que nunca foi nós, pontuo.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

- A Kaline não gosta de poesia

Te ajeitas, guria, finge o que mostra.
Chora sozinha, inventa o piano, diz no que aposta.
Te apruma, pequena, sorria sorrindo.
Rindo.
Sentindo, quem sabe?
Olha pro céu, risca o escuro,
Conta à coruja, espia o muro.
Brinca de gueixa, se pinta de azul,
pois não há quem te entenda,
não num mundo sem sul.
Te enfeita, guria, passa o batom,
ouve tua fada, descolore tem som.
Sejas à ela, sejas àquela,
sejas quem quiseres ser.
Só nunca se esqueça, pequena morena,
só nunca se esqueça de ser você.
Vê se sossegas que é sozinha que a gente sonha.
Vai pra Coreia, perde a carência,
tira do peito o clichê da vergonha.
- Bruna, ninguém gosta de poesia.
Eu não gosto.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

- sou uma ostra e 'Ponte Para Terabítia' destruiu minha vida


"Ostra feliz não faz pérola". Maldita frase que não sai da minha cabeça há dias, entretanto, me confundo com o motivo.
Mas, primeiro, vamos à sua explicação.
Li essa citação em uma de minhas redes sociais (provavelmente o Tumblr. Sim, desculpe-me, mas eu, velha de alma, sou apenas uma menina que vive de modernices), não lembro ao certo o autor (mentira, lembro sim, é Rubem Alves) mas a moral acabou por ser bem nítida.
"Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que representam as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, com pingos de limão, paellas, sopas. Sem defesas – são animais mansos -, seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse, a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem. Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. As ostras felizes se riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão…”. Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro de sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de suas asperezas, arestas e pontas, bastava para envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava. Um dia, passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra. Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou-a e deu-a de presente para a sua esposa."
Quis fazer minha própria versão de compreensão pra tentar desabafar com o caderno.
Se você, caro leitor, ainda não compreendeu totalmente, serei bem clara: os resultados notáveis surgem do sofrimento.
Adaptando à nós, talvez isso não posse ser generalizado, mas convenhamos, os finais trágicos criam pessoas notáveis. Não preciso nem citar grandes nomes, acho que já conheces gente como Cazuza, Renato Russo, Van Gogh por aí...
Fugindo um pouco das pessoas tristemente brilhantes, volto aos finais tristes. Lembro que o primeiro filme realmente dramático que assisti foi "Ponte para Terabítia". Posso dizer com toda certeza que esse filme destruiu todas as minhas fantasias, não só por marcar o pior dia da minha vida, mas também por marcar o dia em que a realidade encontrou meus sonhos de criança e contou toda verdade. Nesse dia, virei adolescente, uma das piores coisas que já me aconteceu, diga-se de passagem.
Mas, enfim, penso que o maior aprendizado que podemos tirar da vida, são os finais tristes, pois veja bem, ao final dela, morremos. A finalidade da vida é morrer. Simples assim.
Sem querer, sem saber porquê, simplesmente morremos.
E talvez, penso eu, a morte não seja lá tão trágica, talvez seja até uma libertação. A loucura da própria existência já é suficiente pra nos martirizar.
"Ostra feliz não faz pérola", ao contrário de mim, claro, que quando se deprime, fica a escrever estas merdas. Bom, pelo menos escrever o vazio que o falar não preenche faz as palavras tortas terem mais sentido do que percorrendo ouvidos que não ouvem.
Talvez, sejam essas minhas pérolas: minhas linhas.
Pérolas ruins e estúpidas.
Tanto quanto sua ostra.

domingo, 29 de julho de 2012

- Você sempre aparecendo

E quando eu acho que você não faz mais parte da minha vida e que para mim a sua existência é indiferente tu faz questão de aparecer e mexer com toda minha estrutura . 
Fui na igreja hoje e rezei por você , é isso mesmo ! Quer dizer não é grande novidade porque rezo por você todos dias antes de adormecer . Bom , se realmente existe um Deus lá em cima já deve estar cansado de me ouvir falar sobre você e cansado de me ouvir pedindo pela tua proteção e pelo teu futuro . 
Mas pensa comigo , todo ser humano precisa acreditar em algo maior , em algo grandioso e eu resolvi acreditar em Deus . 
E assim que sai da igreja hoje e fui comer algo com os meus amigos , você pareceu lá .
Como é possível ? Você continua lindo e bobo como da primeira vez que vi você. 
Fazia algum tempo que já não te via e esse tempo me fez bem . Durante ele pude acreditar que já havia te esquecido , que seu nome não fazia mais parte da minha vida , parte de mim . E mais uma vez ou melhor como sempre , me enganei . 
Quando trocamos olhares enquanto eu saia daquela lanchonete , vi tudo ! Realmente tudo passou diante dos meus olhos . 
Lembrei de você saindo do quarto de samba canção , com a caneca de café na mão cantando Legião Urbana . 
Lembra das nossas manhãs ?
Primeiro todo aquela prazer e aquela troca de caricias  e então depois o café da manhã a dois . 
Hoje eu vi que não tem como facilmente esquecer isso . Mas eu acredito que o tempo ira se encarregar de te por apenas nas memorias e não mais nos sentimentos . 


- natália , lembra de mim ? 

terça-feira, 24 de julho de 2012

- cuidado com quem mora ao lado


Chovia.
Era um dia perfeito para sair do cômodo azul escuro e ir ver as gotas de chuva cortar o céu cinza ao som de uma boa música.
E Kaline sabia disso.
Enquanto a voz de Marcelo Camelo se adequava a melodia da casa, a menina e seu cigarro viam a chuva dançar.
Até que ele abriu o portão, entrando na casa que não era sua para se proteger do que tanto a fascinava. Alegava à ela ter perdido a chave.
Ela não reclamara, havia saído de seu transe chuvoso tão inesperadamente que mal pôde raciocinar que a presença de seu vizinho era demasiado irônica. Jogou a bituca fora.
De recepção, ela nada entendia, e ele, querendo manter-se seco em sua casa, não era lá um convidado muito cortês.
- Então, foi mal. Dá pra entrar em casa pelo corredor ali de fora?
- Olha, não sei. Acho meio impossível. Talvez seja melhor você ligar pr'um chaveiro e esperar aqui mesmo.
- Impossível como? - ele retrucou sem hesitar.
- Bom, você meio que precisaria ser um "ninja" pra passar por ali.
- Talvez eu possa ser.
- Duvido muito. - sua teimosia a irritava, aquilo era um desafio.
Querendo provar o erro de sua vizinha, Rafael se dirigiu à janela do quarto para observar o que supostamente poderia superar.
Bom, foi em vão.
Após Kaline apontar sua possível saída de fuga, Rafael, então, admitiu que jamais conseguiria.
Admitiu em partes, claro. Sua soberba não era tão confrontável quanto suas roupas um pouco molhadas, seria preciso um pouco mais.
Contrariado, pegou o catálogo velho que sua vizinha achara e discou o número do chaveiro. O serviço demoraria por conta da chuva; motivo que fez Rafael detesta-la mais ainda.
- Ah, eu adoro a chuva, - ela atreveu-se - tenho uma certa obsessão por ela.
- Pois hoje, tenho a odiado em particular, sabia? - revidou.
Seria uma briga das boas se não fosse pela introdução sedutora de "Samba A Dois" que ele percebeu.
- Olha, Los Hermanos... Já tinha te visto ouvir algumas vezes. Pelo menos, tu tens um certo bom gosto. - Era quase um elogio, se não viesse dele, claro.
- Com certeza. É só minha banda favorita. - ela disse apontando o rosto barbado em sua camiseta.
Ele, jogando um meio sorriso travesso, observou o corpo de Kaline, porém, agora, uma nova concepção passara por sua mente.
- Ficaria melhor em mim. Garanto. - seria outro desafio?
Ela riu. - Quer dizer que gostou da minha camiseta, é? Eu sei, ela é perfeita.
- Ficaria, se eu estivesse usando. Posso provar?
Não seria um pedido tão estranho se não fosse pelo olhar malicioso que ele exibia.
- Ah, pode. Só não acho que vá servir, sabe... - seu sorriso também mudara - Vou lá tirar, espera aí.
- Não precisa... - ele aproximou o rosto cautelosamente ao seu pescoço, degustando da apreensão que tomou conta das feições dela. Segurou a barra da camiseta cinza e sussurrou em seu ouvido: - Acho que eu mesmo posso tirá-la.
E pousou os lábios delicadamente sobre sua jugular.
Um arrepio percorreu a nuca de Kaline, suas mãos trêmulas procuravam por apoio mas só encontraram os ombros do rapaz que sorvia-lhe o colo, ao que as mãos dele invadiam e exploravam seu corpo por sob o pano das vestes.
- Sabe, - disse ele aproximando os lábios aos seus - tenho te observado já faz um tempo...
- Eu também tenho reparado em você. - ela interrompeu sussurrando.
- Bom, então... - ele deu um suspiro fingido - Acho que a gente podia, sei lá, se conhecer melhor... Mais de perto...?
O beijo dela respondeu tudo.
Seus corpos já embebecidos de lascívia, já se queriam inevitavelmente. A malícia do toque das peles e a cobiça que o beijo provocava, ao invés de saciar, só intensificava.
Já entregues às mãos da perdição humana, tiravam suas roupas e deitavam-se à cama no cômodo escuro.
O barulho da chuva aumentava tal qual quanto a líbido crescente entre eles.
Ainda possessos de competitividade, brigavam a fim de querer-se mais e mais. Ele a mordia, ela o arranhava.
Entre gemidos e suspiros, os corpos nus se entrelaçavam no anseio nocivo do proibido.
Ele pervertendo sua inocência, ela adorando a perdição em êxtase.
Por fim, ele satisfeito, passou a vestir suas roupas já secas de tanto esperar. Kaline estendida na cama sorria ao reparar o que acabara de fazer. Levantou-se e pôs-se a vestir também.
Pois é, o proibido fascinara tanto um quanto outro.
Rafael repara no chamado ao portão. A chuva havia parado e o chaveiro chegara.
Gritou para que o homem à porta esperasse.
Após um breve instante de reflexão e risos confusos, aproximou-se novamente ao ouvido de sua vizinha e a agradeceu pelo "abrigo afetuoso" que ela o dera.
- A propósito, - ele disse - qual é seu nome mesmo?
Bruna, vizinho também é fetiche.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

- sem amor, finalmente.


Estava pensando o que estás a fazer agora.
Queria saber; não por saudade, nem dúvida; só porque ouvi teu nome e lembrei.
É mais agradável não pensar em ti a todo instante; finalmente consigo verbalizar como me sinto e me permitir a cometer erros.
Não me sinto bem, entretanto.
Não ainda.
Penso que, claro, não é por cultivar algum vestígio de sentimento, porém memórias. Nada de tristeza ou saudades, apenas memórias.
E é bom recordá-las. Tuas lembranças acabam servindo de analgésico pra essa melancolia que restou.
Digo analgésico pois o efeito é para tratamento prolongado. Se fosse anestésico, acabaria o efeito e o uso contínuo acabaria me viciando.
E me viciar em recordações tuas não é o resultado desejado.
Gosto de pensar em ti. Pensar no teu rosto me faz escrever textos bons, sorrir um pouco lembrando das bobagens que fazíamos juntos. Claro, quem não gosta de pensar em coisa boa? No entanto, apenas isso: apenas pensar. Agora, tuas recordações já não acarretam a sensação de solidão.
Nem saudade, repito.
De tanto te escrever esses dias, comecei a perceber o que estava acontecendo comigo. Antes, pensava que estaria eu perdendo o dom de amar, porém não perdi coisa alguma, apenas ganhei o dom de "não amar mais". Nem odiar, nem esquecer. Só não amar mais.
Dom que aprendi a muito custo; escrevendo linhas que tu nunca lerás.
Ou não, quem sabe? Ontem mesmo mostrei pra alguém um texto que jamais imaginei que seria lido.
Ah, a propósito, era alguém que tu não gostavas...
Mas, enfim, repito: quem sabe?
Sinceramente, sinto-me chegando ao fim de um sonho ruim. Após tanta luta e desespero, a adrenalina (ou sei lá o que) chega ao ápice e a gente acorda assustado. Mas, depois, o dia vai passando e o sonho a gente nem lembra mais.
Porém, como sempre, ainda tenho dúvidas se é duradouro e concreto. Tratando-se de mim, tu sabes, nada é limitado, vivo de recaídas. Mas dessa vez, será diferente. Ao menos, espero.
Bom, pelo menos a autossuficiência sentimental.
Já o vazio, não me incomodaria nada que passasse. Acabo por me sentir uma pedra e fico um tanto suscetível a mim mesma. O que é muito pior do que ficar suscetível a tuas lembranças.
Acho que no fundo, só não entendia o que não sentia pois ainda tinha medo de ficar a sós com meus delírios.
E com razão, não há nada pior do que ficar a mercê dos meus pesadelos.
Penso que tu sejas a maior prova disso.
- Bruna, com pena cumprida.