domingo, 28 de julho de 2013

Bom dia.

"Havia mil motivos pra eu não estar naquele show, mas o nosso destino foi escrito sobre o som de uma banda qualquer.
Eu me lembro, entre nós, não havia quase nada.
E agora é só você que me faz cantar."


Bom dia, meu amor, hoje eu precisava escrever sobre você.




São quase sete da manhã e eu ainda não dormi...





Há muito tempo eu tinha uma paixão platônica por um certo moço.
Ele sempre me chamou atenção, sempre, e quando mas o tempo passava, mas atenção ele chamava. Quanto tempo faz, eu já nem me lembro, só sei que ele estava lá o tempo todo.
Eu não acreditava muito em destino, mas agora sei que não pode ter sido outra coisa que te trouxe até aqui.
Eu sei que é louco, mas eu sempre pensei que tudo que eu fazia, ou acontecia na minha vida, tinha como motivo me levar até alguma coisa, eu só não sabia o que.
Até aquele dia...
Eu sempre fui do tipo que inventa paixões pra não sentir vazio, mas eu sei que isso foi diferente, pelo menos um pouco. Eu já não me importava, guri, não me importava com nada, já não sentia mais nada, e todas as paixões que eu tentava inventar, já não tampavam o vazio.
Eu sempre te vira de longe, sempre te quis um pouco, mas era, sei lá, normal.
Até aquele momento, quando eu já não sentia nada além da tristeza do vazio, você quis me tirar um sorriso. Sabe, eu nunca pensei que você me notaria, mas como você mesmo diz, não é todo mundo. Você quis me tirar um sorriso, no meio de toda aquela multidão, e subconscientemente, antes disso, eu já sabia que você era diferente. Naquele dia, eu olhei pra você, e te quis do meu lado de um jeito que até agora eu não sei explicar, eu precisei andar pra lá e pra cá atrás de você, só pra continuar sentindo. Você me deu esperança, esperança que no fim do dia eu achei que já tinha perdido, quando você não me achou longe de tudo.
Eu fiquei lá, esperando um completo estranho aparecer, sabendo exatamente o que ele faria.
A tristeza do vazio continuou crescendo, até o momento que eu esqueci a esperança que você havia me trazido, e quando eu menos esperei, aquele destino qual eu tinha falado finalmente se cumpriu, finalmente me levou, e te levou.
Eu não devia estar lá, muito menos você.
Mas você se sentou do meu lado, e fez tudo valer a pena.
Se um dia antes me dissessem que três semanas depois você estaria me pedindo em namoro, e eu, estaria completamente apaixonada, riria. Mas agora, não imagino algo de forma tão perfeita.
Você me fez tão feliz aquele dia..
Você me fez lembrar de um eu que havia se perdido.
E sabe, foi tudo tão espontâneo.
Do mesmo jeito que eu não imaginei que você apareceria daquele jeito, não imaginei que me pediria em namoro, nunca.
Depois de apenas um dia eu estava apaixonada, mas pra você parecia uma amizade tão normal, eu não queria estragar. Eu apenas pensei que com você, não importa se estaria como amiga ou namorada, só te queria perto. Aí você me pediu um beijo.
Você esperou direitinho, não é mesmo?
Me deixou ainda mais boba, e pela primeira vez do teu lado, insegura. Ah, eu tinha medo que você me descobrisse depois daquilo, descobrisse como eu era odiável.
Mas logo depois, de novo, eu não estava me importando com nada, apenas em como te queria por perto.
Eu pensei "foda-se, ele me faz bem, não vou perder tempo tentando me esconder, quero aproveitar cada minuto".
E totalmente perdida em você, acordei quando me disse se eu queria continuar contigo, e eu pensei que você diria que não me queria mais por perto, e você, de novo, fez o que eu não esperava. "Então, você aceitaria se eu te pedisse em namoro?". Ainda não acredito que me disse aquilo.
E de novo, e de novo, e de novo, eu me perdia em você..

Sabe, eu sempre esperei por alguém que um dia me faria ultrapassar regras internas, mas até aquele momento ninguém tinha conseguido, e olha que muita gente tentou. Caralho, você me fez acordar cedo no meio da semana, nas férias, pra ir te ver, e o pior, eu fiz tudo isso desesperada de saudade.
Olha, saudade é algo que eu já quase não sentia.
Então foda-se se eu pareço uma criancinha apaixonada pela primeira vez, e se todas essas coisas parecem tão idiotas aos olhos dos outros, e até mesmo de você. Eu te gosto tanto, baka.
E mesmo depois de tanta coisa, eu nunca imaginei que iria querer uma mesma pessoa pra sempre, como eu te quero agora. Então, enquanto valer a pena, não vá embora.


Sabe por que ainda estou acordada? é você que não me deixa dormir.

E eu ainda tenho tanta coisa pra falar.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

- tudo é você

Encontro você nas ruas da grande cidade e as ruas em você.
Encontro você perdido nas músicas e as músicas perdidas em você.
Encontro sua voz nos becos e os becos em sua voz.
Encontro cada detalhe teu em cada detalhe meu.
Você se perde em mim e eu me encontro em você.
Você preenche a outra metade e a outra metade se preenche de você.
Tudo ao meu redor é você e você é tudo ao meu redor.
Você é o ar que respiro... acho que nem preciso completar não é ?



Natália, a melancólica. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

não é cor-de-contente.


Sinto-me estranha; como se nada valesse a pena.
Como se fugir fosse o melhor a fazer.
Queria sumir.
Ir pra longe, sei lá.
Ir pro litoral, quem sabe? Algum lugar onde pudesse mergulhar. Um pedacinho do oceano que pudesse me enfeitar como seus corais e os peixes multicoloridos.
Peixes que têm medo desse mundo louco na terra firme.
Onde uma imensidão quase viva viria me salpicar de gotas de silêncio e me vestir de azul.
Um azul solitário e profundo.
Um azul onde ninguém poderia me encontrar.

- não seria um lugar feliz.
não sei ao certo se isso ainda exista.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sentir tua falta

Sinto falta.
Quero o gosto de cigarro da tua boca na minha, quero ouvir de ti, minha música interrompida. Quero tuas costas largas, em minhas mãos, calmas demais contigo. Posso chamar isso de "nós", ou somos apenas você e eu? Esse caso com o acaso. Nosso caso. Inacabado.

                                          

sábado, 24 de novembro de 2012

- Um sábado chato.


Odeio pesadelos.
Gosto de acordar em um sábado cedo, só pra tomar café da manhã e voltar a dormir. Ah, só pra constar, odeio sábados.
Minha mãe me diz que a palavra "odeio" é forte demais e eu nunca deveria usá-la. Já usei pra descrever o que sinto por ela.
Gosto de sucos. Gosto de coisas geladas. Gosto de café gelado.
Gosto muito do frio. Gosto de cinza. Gosto muito, muito, de nuvens.
Odeio o sol, mas ele faz duas das coisas mais linda que já vi na vida. Eu amo o amanhecer, quando começam a aparecer diante do sol alaranjado, mil cores nas nuvens. Gosto do entardecer, porque além do alaranjado, surge o vermelho, o céu já está ficando escuro, as cores ficam mais intensas. Se você procurar cores ao crepúsculo encontrará mais que em um arco-íris. Arco-íris, também os amo.
Eu gosto de cores.
Não gosto de crianças, elas me fazem mal. Não gosto de pais também. Na verdade, não gosto de pessoas. Odeio pessoas.
Apenas gosto de pessoas por algumas coisas que elas fizeram. Como a música e o computador.
Ah, em falar nisso, em amo músicas. Mais que tudo na minha vida.
Eu amo acordar em um sábado, tarde, ao som de algo que me faz bem. Odeio sábados, repito.
Gosto do som da chuva. Eu já disse o quanto gosto da chuva ? Eu gosto muito da chuva, eu a amo. Elas deixam as coisas melhores pra mim. Até um sábado chato.
Gosto de domingos, são sempre os melhores. São os mais sozinhos.
Gosto da solidão, é a melhor coisa que existe no meu mundo. Odeio quando me forçam a deixá-la. Odeio quando tiram minhas músicas e odeio quando não me aceitam.
Gosto de doramas. Gosto de contos de fadas.
Gosto de agradar as pessoas, acho que é por isso que as odeio tanto.
Gosto de almoços no sábado.
Ai você se pergunta o porque de eu não gostar de sábados. Acho que é porque eu devia gostar deles.
Eu gosto de ser do contra.
Odeio ser interrompida.
Gosto de combinar comidas.
Odeio igrejas. Odeio.
Mas gosto do alguém maior.
Gosto de mundos paralelos, gosto de mundos inventados. Gosto de Antonietta.
Também gosto da Bruna, gosto muito.
Sabe algo que também gosto ? Eu gosto de passar pelas arvores, olhar pra cima e fechar os olhos. Você sabe qual é a sensação ? Eu vejo, com os olhos fechados, a silhueta  vermelho e laranja das folhas passando pelo sol. É perfeito.
Gosto de colo. Gosto da escola. Colo na escola, melhor ainda.
Gosto de sorvete e chocotone. Gosto de cerveja.
Gosto de frases. Gosto de letras. De palavras escritas, gosto das palavras escritas da Bruna.
Gosto de pupilas.
Gosto de tocar violão. Gosto de ouvir outras pessoas tocando violão.
Gosto de andar descalça, gosto de sentir o chão passando pelos meus pés. Gosto de andar descalça, principalmente, quando estou com minha saia comprida. Ah, minha saia, também gosto dela. Gosto das minhas botas de combate, elas me ajudam. E se nada der certo, eu as tiro e sinto o chão de novo.
Sabe mais uma coisa que eu gosto ? Meu quarto. Eu amo meu quarto. Também gosto de azul, meu quarto é azul.
Gosto de Cícero. Gosto de Alice. Todas as Alices.
Gosto de números ímpares. Porque será..
Odeio o alfabeto. Gosto da letra H. Gosto de Los Hermanos.
Gosto do som do piano.
Gosto de sonhar.
                   
                                                              - Fiction

- Baú das coisas não ditas.

Pois é,

Esse é só mais um dia.
Mais uma noite.
 Eu disse que ia mudar, disse que não ia volta atrás. Mas sempre, acima de tudo, vem a tristeza, tal que deixei-a tomar conta de mim de um jeito que até parece que nunca vai me embora.
Essa realmente sou eu ? pois é, acho que sim.
Eu vivo em torno disso, eu procuro o lado bom no ruim, mas só eu sei.
Eu estou realmente mal, mais que o normal. E não tem ninguém pra recorrer. E mesmo se tivesse, o que eu falaria ? que estou deprimida ? isso não é novidade. O porque ? pra variar eu não sei.
Acho que é esse vazio dentro do meu peito. Que afinal, nunca vou saber preencher.
                                                                   14-07-2012 01:23
           
                              "Que o coração já quer descansar♪ " Los Hermanos - Pois é




                                              - Fiction

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

- Sentir tua falta

Sinto tua falta
Em cada músculo do meu corpo, em cada suspiro, a cada segundo.
Sua falta me afeta
Me afeta na escola, em casa, na rua.
Sinto tua falta e isso me faz mal
Você não esperava de mim, eu não esperava de você.
Eu posso errar, você pode apenas aceitar. Você não aceitou.
Sentir tua falta me machuca, estando perto é ainda pior.
Você apenas mentiu mais que eu.
Sinto tua falta, e isso me arranca lágrimas. Você me disse que estaria aqui, acima de tudo e todos.
Eu apena confiei, confiei como nunca. Te confiei minhas lágrimas e você as ignorou.
Onde elas iram cair agora, sem teus ombros ?
Onde estão teus braços e abraços ?
                           
                                      Ainda não choveu e eu já estou escrevendo pra você.

                      
                      21-11-2012
 - O primeiro dia de provas é o pior.

domingo, 4 de novembro de 2012

- A Breve Longa História de Uma Atriz Pornô (parte II. nostalgia)

"- Jasmine!
Era a voz de Cristina. Ou outros nomes que os clientes a chamavam.
Naquela época, eu mal tinha 5 anos e já aprendera a viver num lugar onde homens estranhos se encontravam com mulheres estranhas e se trancavam em quartos para fazer coisas estranhas.
Minha mãe era uma dessas mulheres. Ela fazia essas coisas e jamais soube quem deveria assumir a paternidade. Quando se dera conta da gravidez, a última coisa em que se preocupou foi descobrir quem quer que fosse meu pai. Afinal, filho de puta não tem isso, nasce sem respeito. No meu caso, já nascia com destino certo.
O aborto até teria sido feito, se não fosse por Ju.
Tia Júlia, como eu a chamava, era uma das mais velhas daquele cortiço. Tinha lá seus 40 anos e já vira muita coisa na vida. Sofrera muito. Terminou seus dias na podridão do desrespeito.
Nunca irei esquecer o dia em que vi sua morte. Nunca irei esquecer o que fizera por mim.
Fora ela quem induziu minha mãe a não tirar o bebê. Decisão nobre, porém um erro absurdo. Por sua causa conheci este mundo podre. Entretanto, não a culpo, claro. Foi também por sua causa que encontrei esperança na vida. Uma ilusão, sim, porém, algo com o que sonhar.
- Jasmine! Onde estava, menina?! - mamãe me beliscara - Já te disse mil vezes pra não ficar perambulando pelos corredores se não algum homem ruim te pega!
Se fosse em outra situação, o aviso não seria tão ironicamente macabro. Vivíamos num prostíbulo; uma garotinha loira é uma atração um tanto irrecusável àqueles que ali frequentavam. Desde pequena, meus monstros eram outros, eram reais.
E continuam sendo.
Naquele dia, depois da bronca, Cristina me deixou trancada no minúsculo cômodo aos fundos do cortiço. Nosso esconderijo, literalmente.
Iria "fazer o ponto" (uma expressão que eu só entenderia mais tarde) e me fez jurar que só abriria a porta pra Tia Ju, ao contrário, permaneceria em silêncio até quem quer que fosse ir embora.
Saiu.
Algumas horas mais tarde, Júlia me chamara a porta. Fiz o que prometera.
Pena que ela me trouxe a notícia que fortificou minha desgraça.
Mamãe morrera.
Fora assassinada.
E isso, o próprio assassino me contaria mais tarde."

"fragmento de algo que você precisa saber"
Bruna, e os textos em atraso.
obs.: a primeira parte encontra-se aqui

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

- ''e continuar aquela conversa que não terminamos ontem , ficou pra hoje''

Sabe quando você senta , para e pensa e se for pessimista como eu vai se perguntar como tudo pode estar dando certo , como as suas notas na escola podem ter subido , como as discussões em casa podem ter acabado e por ultimo como , uma pessoa como eu pode ter a vida amorosa que sempre desejou . 
Como disse , sou pessimista , tento fingir que não , mas não dá . 
E no final de contas a Kaline tinha razão ... 
Sempre tento arrumar defeito onde não há , posso estar com a pessoa mais perfeita da face da Terra , mas eu vou bem lá no fundo e arrumo uma desculpa do porque aquela pessoa não me merece, arrumo um problema . Ou então a pessoa mesmo termina comigo antes que haja tempo de fazer isso . Foi o que você fez, terminou comigo. Me perdoa se acho que nunca te dei motivo para tal , muito pelo contrario ! Do meu ponto de vista quem tinha todos os motivos era eu , quem não me dava atenção eras tu , quem acabava sempre enviando aquela sms era eu , era eu que acabava indo atrás . 
Se te pressionei , FODA-SE! 
Sabe o que é querido ? É que eu cansei de pedir desculpas por ser eu mesma , por ser insegura , neurótica e ter a carência de uma viúva.  
Eu sou a mesma pessoa , aquela mesma garota de uns meses atrás e se você não gosta desse meu jeito, é porque na verdade nunca me conheceu . E talvez mais uma vez eu tenha acabado confundindo mais um caso casual com algo sério . Porque afinal de contas sou sempre eu que acabo pulando de cabeça , esperando algo de novo , suponho ...

                         ''seu all-star azul combina com o meu preto de cano alto''
Natália ,   mal amada 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

- A Breve Longa História De Uma Atriz Pornô (parte I)


- Jasmine!
Já não me basta atuar como protagonista nessa porra e ainda tenho que ficar aqui até amanhecer?
Se é que filme pornô tem lá protagonista de moral ou história que se preze…
Além de ter que esperar um total babaca “entrar no clima” pra conseguir finalmente ter uma ereção; porque, francamente, a única atuação nesses curtas são uns gritinhos histéricos de puta mal comida. E olha que se não fosse por eles, ainda daria pra sentir algum tipo de prazer nessa profissão.
Profissão, Jasmine… Só se for pra servir de inspiração pr’algumas punhetas.
Mas que vida de merda, hein?!
- Jasmine!!
- Caralho, já vou indo!
E além de filho da puta, o que se chama por ‘diretor’ dessa budega ainda tinha que encarnar comigo.
- Que foi, Roberto? Que diabos tu queres comigo?
- Olha como fala comigo, loirinha. Vamos precisar gravar tua voz de novo.
- Que é? Mas isso precisa de dublagem, Roberto? Alguém por acaso liga pra roteiro de pornografia?!
- Se ligam ou não, eu não sei. Mas seus gritinhos melhoram o produto, e disso você sabe.
Não. Não sei mesmo. Depois de quatro anos como puta, a gente acaba esquecendo do que é realmente excitante e do que é puro enfeite pra orgasmo fingido.
Pelo pouco que lembro, a última vez que fiz algo que não fosse por dinheiro foi com aquele viado do Rogério. Eu, a idiota, sempre tive que cair na lábia de caras babacas. Esse, além de me trair com a vadia da Lúcia, ainda me obrigou a ser “compartilhada” com os amiguinhos dele.
Nojo.
Nojo deles. Nojo de mim.
Foi a primeira vez que perdi o que restava de minha moral; foi a primeira vez que me chamaram de puta. Com já não tinha mais nada, a única saída era fugir, foder com tudo e começar a cobrar por isso.
Literalmente.
- Então, - seu odor de whiskey e charuto velho me dava ânsia - é o seguinte: a gente contratou um novo editor e ele tá chegando aí. Será ele quem vai gravar tua voz de novo e colocar ela bonitinha no vídeo.
- Faça-me o favor, Roberto! Faz isso outro dia!
Já saía pisando firme quando ele me segurou pelos cabelos e sussurrou ao meu ouvido.
- Acho que a loirinha se esqueceu como é que eu gosto de tratar quem não faz as coisas como eu quero, não é? Se eu digo que a vamos gravar sua voz de novo, quer dizer que estou pouco me fodendo pro que você acha ou deixar de achar sobre isso. - Pigarreou e continuou, agora fazendo-me olhar em seus olhos. - Você é apenas mais uma das minhas putinhas, loirinha. E é bom que continue fazendo um bom serviço e da forma que eu mandar. Você sabe muito bem o que acontece quando alguém já não é mais… ‘útil’ aqui, certo?
Sim, eu sabia.
Filho da puta era elogio pr’aquele diretor. Roberto não só fazia o que bem entendia com “suas meninas”, como também fazia questão de expor aos quatro ventos o quão insignificante nós éramos. Tão insignificantes que nos encontrar em pedaços num latão de lixo não era algo tão fora de rotina.
Eu queria poder fugir dessa vida.
Nas noites de insônia, e não eram poucas, imaginava-me em algum outro lugar. Um lugar cheio de novas escolhas e novas oportunidades. Sem riscos, sem o esgoto que a prostituição me levara. Talvez eu continuasse com os estudos. Medicina, quem sabe? Lembro de adorar jalecos quando era menina…
Quem diria que o máximo que conseguiria seria uma fantasia de enfermeira ninfeta.
Suspirei, a única alternativa seria concordar com Roberto. Como sempre.
- Tudo bem, - disse me desvencilhando dele - gravo teus gritinhos de novo. Satisfeito?
- Completamente. - ele sorria de escárnio - E olha lá quem chega!
Avistei à porta um cara de óculos.
- Jasmine, esse é o Marcelo, - se referindo ao rapaz - nosso novo editor.
Observei o garoto da cabeça aos pés.
Ela me estendia a mão para cumprimentar com modos demasiadamente tímidos, parecia até que estava sendo acusado de algum crime.
Aparentava lá uns vinte anos e tinha cara de nerd estudante de engenharia genética; não só pelos óculos mas pela postura alinhada e o olhar educado. Que diabos ele fazia aqui?
- Bom, Marcelo, essa aqui é a Jasmine… - o cheiro de charuto já quase me fazia vomitar. Ou seria apenas o som da voz dele? - Ela é a protagonista do vídeo que você irá editar hoje. Aqui tem as fitas, mas o áudio saiu uma droga e eu quero que você grave as partes em que ela grita de novo. Conto com os gemidos dela porque, você sabe, nenhum pornô pode ficar sem gemido, né? - Claro, pornografia faz muita diferença na vida das pessoas… - Preciso ir e é bom que amanhã esteja tudo como eu pedi.
Roberto já alcançava a porta quando virou-se e me encarou como se fosse meu dono.
O que me revolta é que, de certa foma, era verdade.
Quis vomitar. De novo.
Ouvi a batida da porta da frente e o motor do Sedan se distanciando. O estúdio já estava vazio; estávamos completamente sozinhos.
Olhei novamente o garoto novo e percebi o olhar confuso e constrangido que ele me devolvia.
- Que diabos você faz aqui?
- Bom, - ele sorriu envergonhado - todo mundo precisa de dinheiro, certo?
Era verdade. Todos precisam de dinheiro. É ele quem reina nesse mundo podre.
E era por isso que estávamos naquele inferno.

-  Bruna Vieira, e a forma como o mundo é podre.
Nota: essa será uma série de contos dividida em algumas partes, ainda não sei quantas nem tenho ideia qual será o rumo que a história irá tomar. Irei descobrir da mesma forma que você, caro leitor.

sábado, 25 de agosto de 2012

- Ao som de Cícero, isso é tão Bruna.





Ao som de Cícero, isso é tão Bruna.

Ando abrindo minha janela, ando usando cores, ando ouvindo musicas alegres. Alegres pelo menos pra mim.
Se eu estou bem ? Não parei mais pra pensar, eu só estou.
Sinto algo bom, será que há algo por vir ?
Não criarei expectativas, na verdade, a muito tempo não crio.
Isso é bom ou ruim ? 
Eu quero aprender a fazer algo bom. 
Algo bom pra mim, algo bom pra todos.
Quero minha arte, minhas cores, meu som. Meu tom.
Quero cair, cair num infinito. Quero ser Alice.

                            - Fiction
Pois eu, eu estou aqui, não sei se tenho algo pra falar, ou escrever, mas estou aqui.

Estou procurando minha inspiração, procurando algo melhor. Algo que me faça sair daqui, algo que me faça querer. Querer qualquer coisa, querer lutar, querer viver.
Não tenho nada pra escrever, só estou escrevendo.
                                                          - Fiction

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

- e enfim, quebrei a imagem que o espelho não mostrava


Fui embora pelas ruas cinzas vendo os pneus riscando o asfalto e ouvindo Detonautas pra pensar em você.
Fumei um cigarro pra tirar a ressaca do sorriso que me destes.
Foi o último.
Último sorriso, não cigarro.
Aliás, quero outro.
Cigarro, claro.
Mas, emfim, tu ficas com ela. Tu ficas com tua moça, meu anjo. Minha alma cheira a fumaça e é suja demais pra você.
Não precisamos de mais nada. Não preciso do teus olhos, não preciso dos ciúmes dela.
Porém, não irei me esconder como antes, nem por ti muito menos por ela.
Tu não mereces meus modos.
Tu não mereces minha vadiagem.
Tu não mereces minha perdição.
Não porque és bom, claro, mas porque não vales o gasto.
Ela, então, nem se fala…
Não te esquecerei, porém.
E, também, tu não se esquecerás.
Conheceste meus pecados.
Isso basta.
Sempre bastou.
Não será o que não foi dito que mudará o que nunca passou.
Já é o tempo de fim.
Já chega a hora de esquecer minhas folhas à ti.
Sem adeus, sem recaídas.
Sinta-se por satisfeito.
Pra ti, este é meu último ponto.
- Bruna. E ao fim do que nunca foi nós, pontuo.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

- A Kaline não gosta de poesia

Te ajeitas, guria, finge o que mostra.
Chora sozinha, inventa o piano, diz no que aposta.
Te apruma, pequena, sorria sorrindo.
Rindo.
Sentindo, quem sabe?
Olha pro céu, risca o escuro,
Conta à coruja, espia o muro.
Brinca de gueixa, se pinta de azul,
pois não há quem te entenda,
não num mundo sem sul.
Te enfeita, guria, passa o batom,
ouve tua fada, descolore tem som.
Sejas à ela, sejas àquela,
sejas quem quiseres ser.
Só nunca se esqueça, pequena morena,
só nunca se esqueça de ser você.
Vê se sossegas que é sozinha que a gente sonha.
Vai pra Coreia, perde a carência,
tira do peito o clichê da vergonha.
- Bruna, ninguém gosta de poesia.
Eu não gosto.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

- sou uma ostra e 'Ponte Para Terabítia' destruiu minha vida


"Ostra feliz não faz pérola". Maldita frase que não sai da minha cabeça há dias, entretanto, me confundo com o motivo.
Mas, primeiro, vamos à sua explicação.
Li essa citação em uma de minhas redes sociais (provavelmente o Tumblr. Sim, desculpe-me, mas eu, velha de alma, sou apenas uma menina que vive de modernices), não lembro ao certo o autor (mentira, lembro sim, é Rubem Alves) mas a moral acabou por ser bem nítida.
"Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que representam as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, com pingos de limão, paellas, sopas. Sem defesas – são animais mansos -, seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse, a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem. Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. As ostras felizes se riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão…”. Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro de sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de suas asperezas, arestas e pontas, bastava para envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava. Um dia, passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra. Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou-a e deu-a de presente para a sua esposa."
Quis fazer minha própria versão de compreensão pra tentar desabafar com o caderno.
Se você, caro leitor, ainda não compreendeu totalmente, serei bem clara: os resultados notáveis surgem do sofrimento.
Adaptando à nós, talvez isso não posse ser generalizado, mas convenhamos, os finais trágicos criam pessoas notáveis. Não preciso nem citar grandes nomes, acho que já conheces gente como Cazuza, Renato Russo, Van Gogh por aí...
Fugindo um pouco das pessoas tristemente brilhantes, volto aos finais tristes. Lembro que o primeiro filme realmente dramático que assisti foi "Ponte para Terabítia". Posso dizer com toda certeza que esse filme destruiu todas as minhas fantasias, não só por marcar o pior dia da minha vida, mas também por marcar o dia em que a realidade encontrou meus sonhos de criança e contou toda verdade. Nesse dia, virei adolescente, uma das piores coisas que já me aconteceu, diga-se de passagem.
Mas, enfim, penso que o maior aprendizado que podemos tirar da vida, são os finais tristes, pois veja bem, ao final dela, morremos. A finalidade da vida é morrer. Simples assim.
Sem querer, sem saber porquê, simplesmente morremos.
E talvez, penso eu, a morte não seja lá tão trágica, talvez seja até uma libertação. A loucura da própria existência já é suficiente pra nos martirizar.
"Ostra feliz não faz pérola", ao contrário de mim, claro, que quando se deprime, fica a escrever estas merdas. Bom, pelo menos escrever o vazio que o falar não preenche faz as palavras tortas terem mais sentido do que percorrendo ouvidos que não ouvem.
Talvez, sejam essas minhas pérolas: minhas linhas.
Pérolas ruins e estúpidas.
Tanto quanto sua ostra.

domingo, 29 de julho de 2012

- Você sempre aparecendo

E quando eu acho que você não faz mais parte da minha vida e que para mim a sua existência é indiferente tu faz questão de aparecer e mexer com toda minha estrutura . 
Fui na igreja hoje e rezei por você , é isso mesmo ! Quer dizer não é grande novidade porque rezo por você todos dias antes de adormecer . Bom , se realmente existe um Deus lá em cima já deve estar cansado de me ouvir falar sobre você e cansado de me ouvir pedindo pela tua proteção e pelo teu futuro . 
Mas pensa comigo , todo ser humano precisa acreditar em algo maior , em algo grandioso e eu resolvi acreditar em Deus . 
E assim que sai da igreja hoje e fui comer algo com os meus amigos , você pareceu lá .
Como é possível ? Você continua lindo e bobo como da primeira vez que vi você. 
Fazia algum tempo que já não te via e esse tempo me fez bem . Durante ele pude acreditar que já havia te esquecido , que seu nome não fazia mais parte da minha vida , parte de mim . E mais uma vez ou melhor como sempre , me enganei . 
Quando trocamos olhares enquanto eu saia daquela lanchonete , vi tudo ! Realmente tudo passou diante dos meus olhos . 
Lembrei de você saindo do quarto de samba canção , com a caneca de café na mão cantando Legião Urbana . 
Lembra das nossas manhãs ?
Primeiro todo aquela prazer e aquela troca de caricias  e então depois o café da manhã a dois . 
Hoje eu vi que não tem como facilmente esquecer isso . Mas eu acredito que o tempo ira se encarregar de te por apenas nas memorias e não mais nos sentimentos . 


- natália , lembra de mim ? 

terça-feira, 24 de julho de 2012

- cuidado com quem mora ao lado


Chovia.
Era um dia perfeito para sair do cômodo azul escuro e ir ver as gotas de chuva cortar o céu cinza ao som de uma boa música.
E Kaline sabia disso.
Enquanto a voz de Marcelo Camelo se adequava a melodia da casa, a menina e seu cigarro viam a chuva dançar.
Até que ele abriu o portão, entrando na casa que não era sua para se proteger do que tanto a fascinava. Alegava à ela ter perdido a chave.
Ela não reclamara, havia saído de seu transe chuvoso tão inesperadamente que mal pôde raciocinar que a presença de seu vizinho era demasiado irônica. Jogou a bituca fora.
De recepção, ela nada entendia, e ele, querendo manter-se seco em sua casa, não era lá um convidado muito cortês.
- Então, foi mal. Dá pra entrar em casa pelo corredor ali de fora?
- Olha, não sei. Acho meio impossível. Talvez seja melhor você ligar pr'um chaveiro e esperar aqui mesmo.
- Impossível como? - ele retrucou sem hesitar.
- Bom, você meio que precisaria ser um "ninja" pra passar por ali.
- Talvez eu possa ser.
- Duvido muito. - sua teimosia a irritava, aquilo era um desafio.
Querendo provar o erro de sua vizinha, Rafael se dirigiu à janela do quarto para observar o que supostamente poderia superar.
Bom, foi em vão.
Após Kaline apontar sua possível saída de fuga, Rafael, então, admitiu que jamais conseguiria.
Admitiu em partes, claro. Sua soberba não era tão confrontável quanto suas roupas um pouco molhadas, seria preciso um pouco mais.
Contrariado, pegou o catálogo velho que sua vizinha achara e discou o número do chaveiro. O serviço demoraria por conta da chuva; motivo que fez Rafael detesta-la mais ainda.
- Ah, eu adoro a chuva, - ela atreveu-se - tenho uma certa obsessão por ela.
- Pois hoje, tenho a odiado em particular, sabia? - revidou.
Seria uma briga das boas se não fosse pela introdução sedutora de "Samba A Dois" que ele percebeu.
- Olha, Los Hermanos... Já tinha te visto ouvir algumas vezes. Pelo menos, tu tens um certo bom gosto. - Era quase um elogio, se não viesse dele, claro.
- Com certeza. É só minha banda favorita. - ela disse apontando o rosto barbado em sua camiseta.
Ele, jogando um meio sorriso travesso, observou o corpo de Kaline, porém, agora, uma nova concepção passara por sua mente.
- Ficaria melhor em mim. Garanto. - seria outro desafio?
Ela riu. - Quer dizer que gostou da minha camiseta, é? Eu sei, ela é perfeita.
- Ficaria, se eu estivesse usando. Posso provar?
Não seria um pedido tão estranho se não fosse pelo olhar malicioso que ele exibia.
- Ah, pode. Só não acho que vá servir, sabe... - seu sorriso também mudara - Vou lá tirar, espera aí.
- Não precisa... - ele aproximou o rosto cautelosamente ao seu pescoço, degustando da apreensão que tomou conta das feições dela. Segurou a barra da camiseta cinza e sussurrou em seu ouvido: - Acho que eu mesmo posso tirá-la.
E pousou os lábios delicadamente sobre sua jugular.
Um arrepio percorreu a nuca de Kaline, suas mãos trêmulas procuravam por apoio mas só encontraram os ombros do rapaz que sorvia-lhe o colo, ao que as mãos dele invadiam e exploravam seu corpo por sob o pano das vestes.
- Sabe, - disse ele aproximando os lábios aos seus - tenho te observado já faz um tempo...
- Eu também tenho reparado em você. - ela interrompeu sussurrando.
- Bom, então... - ele deu um suspiro fingido - Acho que a gente podia, sei lá, se conhecer melhor... Mais de perto...?
O beijo dela respondeu tudo.
Seus corpos já embebecidos de lascívia, já se queriam inevitavelmente. A malícia do toque das peles e a cobiça que o beijo provocava, ao invés de saciar, só intensificava.
Já entregues às mãos da perdição humana, tiravam suas roupas e deitavam-se à cama no cômodo escuro.
O barulho da chuva aumentava tal qual quanto a líbido crescente entre eles.
Ainda possessos de competitividade, brigavam a fim de querer-se mais e mais. Ele a mordia, ela o arranhava.
Entre gemidos e suspiros, os corpos nus se entrelaçavam no anseio nocivo do proibido.
Ele pervertendo sua inocência, ela adorando a perdição em êxtase.
Por fim, ele satisfeito, passou a vestir suas roupas já secas de tanto esperar. Kaline estendida na cama sorria ao reparar o que acabara de fazer. Levantou-se e pôs-se a vestir também.
Pois é, o proibido fascinara tanto um quanto outro.
Rafael repara no chamado ao portão. A chuva havia parado e o chaveiro chegara.
Gritou para que o homem à porta esperasse.
Após um breve instante de reflexão e risos confusos, aproximou-se novamente ao ouvido de sua vizinha e a agradeceu pelo "abrigo afetuoso" que ela o dera.
- A propósito, - ele disse - qual é seu nome mesmo?
Bruna, vizinho também é fetiche.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

- sem amor, finalmente.


Estava pensando o que estás a fazer agora.
Queria saber; não por saudade, nem dúvida; só porque ouvi teu nome e lembrei.
É mais agradável não pensar em ti a todo instante; finalmente consigo verbalizar como me sinto e me permitir a cometer erros.
Não me sinto bem, entretanto.
Não ainda.
Penso que, claro, não é por cultivar algum vestígio de sentimento, porém memórias. Nada de tristeza ou saudades, apenas memórias.
E é bom recordá-las. Tuas lembranças acabam servindo de analgésico pra essa melancolia que restou.
Digo analgésico pois o efeito é para tratamento prolongado. Se fosse anestésico, acabaria o efeito e o uso contínuo acabaria me viciando.
E me viciar em recordações tuas não é o resultado desejado.
Gosto de pensar em ti. Pensar no teu rosto me faz escrever textos bons, sorrir um pouco lembrando das bobagens que fazíamos juntos. Claro, quem não gosta de pensar em coisa boa? No entanto, apenas isso: apenas pensar. Agora, tuas recordações já não acarretam a sensação de solidão.
Nem saudade, repito.
De tanto te escrever esses dias, comecei a perceber o que estava acontecendo comigo. Antes, pensava que estaria eu perdendo o dom de amar, porém não perdi coisa alguma, apenas ganhei o dom de "não amar mais". Nem odiar, nem esquecer. Só não amar mais.
Dom que aprendi a muito custo; escrevendo linhas que tu nunca lerás.
Ou não, quem sabe? Ontem mesmo mostrei pra alguém um texto que jamais imaginei que seria lido.
Ah, a propósito, era alguém que tu não gostavas...
Mas, enfim, repito: quem sabe?
Sinceramente, sinto-me chegando ao fim de um sonho ruim. Após tanta luta e desespero, a adrenalina (ou sei lá o que) chega ao ápice e a gente acorda assustado. Mas, depois, o dia vai passando e o sonho a gente nem lembra mais.
Porém, como sempre, ainda tenho dúvidas se é duradouro e concreto. Tratando-se de mim, tu sabes, nada é limitado, vivo de recaídas. Mas dessa vez, será diferente. Ao menos, espero.
Bom, pelo menos a autossuficiência sentimental.
Já o vazio, não me incomodaria nada que passasse. Acabo por me sentir uma pedra e fico um tanto suscetível a mim mesma. O que é muito pior do que ficar suscetível a tuas lembranças.
Acho que no fundo, só não entendia o que não sentia pois ainda tinha medo de ficar a sós com meus delírios.
E com razão, não há nada pior do que ficar a mercê dos meus pesadelos.
Penso que tu sejas a maior prova disso.
- Bruna, com pena cumprida.

domingo, 15 de julho de 2012

- sim é pra você moço



Vejo balões em volta de mim , mas a festa acabou . 
Está frio hoje mas já agasalhei meus pés . 
Seu rosto me perseguiu hoje , por todos os lados até no meu quarto , onde são poucos os que têm direito a entrar . 
Tinha grandes expectativas para você , para mim , para nós . Mas sem ser a primeira vez , me enganei a respeito de mais uma pessoa .
Que posso fazer não é ? Nada sou pra te julgar , muito menos te dizer o que fazer ou não . Ou mesmo por quem te deves apaixonar . 
Nada sou , a não ser a última a sair da festa , como sempre . 
Sempre me dizeram que o melhor fica para o final , mas começo a achar que é bem pelo contrario . 
Estou aqui junto do chão sujo , os restos de bolo e os balões com os quais  as crianças brincavam até umas horas atrás. 
Mais uma vez , fiquei por último e sabe que mais ? Até comecei a me acostumar a essa ideia . 
Minha hora não era com você , mas quem sabe não chega logo ? 
Também mereço um parabéns ! 

Natália , a última  

sexta-feira, 13 de julho de 2012

- pra guria de Portugal

"O professor faz a pergunta retórica pra sala:
- ... porque não existe masculino pra verbo. Por exemplo, qual é o masculino de rodar?
E ambas se nem se conhecer respondem:
- Rodo!"


Poxa, pequena, você também merece uma página minha.
Não que isso seja lá grande coisa (e não é), mas vou reservar umas linhas pra ti, juro que vou até caprichar na letra.
Sabe, nunca pensei que alguém que conheci tão aleatoriamente fosse fazer tanta diferença no modo em como aprendi a ver o mundo, muito menos alguém com jeito de forte e dura na queda, mas que no fundo, só precisa de carinho.
E não precisei ir muito longe pra perceber isso.
Claro, carinho previamente selecionado, pois não é qualquer um que ganha esse coração pintado de esperança. Porém, quem o ganha não faz ideia da preciosidade que tem em mãos.
Já te disse, lembra? Tu amas como poucos; tu tens a audácia de se apegar mesmo sabendo que pode não ser recompensada da mesma maneira.
Mas, te digo, não é nada em vão. Um dia alguém especial e suficientemente capaz há de notar o pulsar sincero desse teu coração de ouro; e não só notar, mas também preservá-lo com toda a paciência necessária pra que a tua esperança não seja perdida.
Lembra, também, daquela vez que te disse que se eu pudesse, pegaria toda essa tua dor pra mim? Bom, era verdade. Se pudesse, suportaria esse medo por ti, guria, suportaria sem nenhuma objeção; já me senti triste o suficiente pra pensar que se somasse tua tristeza a minha, ambas desapareceriam.
Já pensou? Seria uma maravilha...
Ou ao menos, chegaria bem perto.
Mas a vida insiste em se fazer de teimosa e fica de sacanagem com os nossos sonhos, não é? Ela nunca se contenta a colaborar com as nossas expectativas.
Mas que seja, pequena. Um dia a gente chora de alegria e tira sarro dessa vida caturra.
E se a vida não colaborar, juro que rodo o mundo e sequestro a felicidade pra ti, nem que tenha de arrastá-la pelo Atlântico de Coimbra até São Paulo, a trago pra ti e isso é uma promessa.
Juro de mindinho.
- Bruna, a preta.